A vitória da Comcast

Após 6 meses de batalha. O grupo americano Comcast compra a operadora de tv britânica SKY por 39 bilhões de dólares após a Fox-Disney decidir reconhecer tal derrota. Isso foi um golpe fatal para o magnata australiano Rupert Murdoch que tentava o comprar os 61% das ações para ter o controle total da Sky por uma longa batalha de 7 anos nos bastidores de Londres.

Quando a Comcast desistiu de comprar a divisão de entrenimento e internacional do grupo Fox para a Disney em julho passado. A mídia americana afirmou que o grupo poderia aprontar na compra da Sky após a Ofcom anunciar que permitiria que as duas ofertas feitas pela Disney e pela Comcast fossem analisadas por uma assembléia dos acionistas da Sky feita no dia de hoje.

A oferta de 39 bilhões seduziu mais os fundos de investimentos de City London do que a proposta feita pelo magnata australiano que preocupava a mídia britânica pela enorme concentração de mercado diante do fato de Murdoch ser dono de jornais como o tablóide The Sun, o jornal The Times e o diário dominical Sunday Times. Rupert deixava claro que desejava fazer um contraponto a BBC.

Mas em fevereiro, a Comcast fez uma oferta inesperada pela Sky. Os planos do grupo americano era estabelecer uma operação no continente europeu já que a Sky tinha filiais em países como a Alemanha, Espanha e Itália. Além de oferecer uma contrapartida de mais produtos como séries produzidas pela Sky Atlantic e a independência editorial da Sky News.

A mídia britânica vê tal derrota de Murdoch como uma forma de vingança pela Comcast por ter sido preterida pela compra da divisão de entrenimento e internacional da Fox. A Sky era a jóia da coroa do grupo News Corp. Para um australiano que fez fortuna na imprensa anglófila com o seu amor pelos jornais. Rupert não terá estômago ao ler o Sunday Times com uma reportagem sobre sua derrota pela conquista da Sky.

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A questão Comcast

Hoje, o caso Sky ganhou mais um capítulo no Reino Unido. O grupo americano Comcast anunciou a formalização da oferta de 22 bilhões de dólares pela compra do controle acionário da Sky tendo como base o preço de 12,50 pounds por ação. Mas a diferença é que a Comcast deixou bem claro que vai manter a independência editorial do canal de notícias Sky News (que faz parte do grupo Sky).

Recapitulando: a Sky é a joia da coroa do grupo Fox, de propriedade do magnata australiano Rupert Murdoch. Mas Murdoch tem 39% do controle acionário da operadora de TV a satélite. Mas os 61% das ações pertencem a um fundo de investimentos. A Sky está entre as empresas que seriam vendidas para o grupo Disney cujo o negócio deveria ser aprovado por órgãos reguladores dos Estados Unidos, Reino Unido, Índia e Austrália.

Com a promessa que a Comcast irá dar independência editorial para a Sky News. Isso muda o jogo de figura. Murdoch estava esperando um memorando da Ofcom aprovando a compra da Sky pela Fox para ser anunciado no dia 14 de junho com a aprovação da secretária de Mídia, Cultura e Esportes do governo britânico. Mas isso pode ser adiado pela oferta da Comcast.

Em 2017, a Fox rejeitou uma oferta da Comcast em favor da proposta do grupo Disney por temer que o negócio não fosse aprovado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos por ferir as leis anti-truste onde o mercado de tv a cabo poderia ter a formação de um oligopólio diante da mal-sucedida fusão entre a Comcast com o grupo NBC-Universal aprovada em 2010.

A grande questão é que o mercado britânico tem uma competição acirrada entre a BT e a SKY no mercado de Tv a cabo e serviços de provedores de Internet junto com a Vodafone. A Ofcom tem uma enorme tarefa pela frente em evitar um oligopólio em solo britânico. Além de garantir a independência editorial da Sky News se caso a Comcast seja a vencedora de tal guerra midiática. Esperemos os próximos capítulos.

As complicações de Murdoch

A notícia que o grupo Comcast deseja comprar a operadora de TV britânica Sky agitou o mundo do mercado de mídia tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido por ser uma jogada importante de Brian Roberts contra o magnata australiano Rupert Murdoch em sua tentativa de organizar o seu império midiático após uma iminente saída do jogo global com a venda de ações para a Disney no fim de 2017.

Murdoch empire graphic

O império de Murdoch vai ser dividido entre seus dois filhos. Lachlan cuidará da divisão australiana do grupo junto com o departamento de jornais britânicos conhecida com News Corp enquanto James ficará responsável pela parte americana da 21st Century Fox e poderá comandar a Sky britânica tendo como ativos a Sky News, Sky Sports e Sky Atlantic.

Murdoch empire graphic

O que espanta nessa disputa de compra da Sky é a quantidade de empresas envolvidas por parte de Murdoch. A Fox detém 39% do controle acionário da Sky e deu a compra da operadora britânica como garantia para a Disney ter acesso ao mercado europeu de comunicações. Isso é um dos objetivos da Comcast para ter acesso a mercados de países como Irlanda, Itália, Alemanha e Espanha.

Tanto que a Comcast já anunciou que pode trabalhar em um regime de joint-venture com a Disney pelo controle da Sky. Isso seria um pesadelo para Murdoch que deseja manter influência política no Reino Unido com o poderio da Sky. Ao mesmo tempo que a própria Sky tem tido uma dura concorrência no Reino Unido com o grupo de comunicação BT e seu braço esportivo BT Sports.

Na última semana, tanto a Sky quanto a BT pagaram 4.469 bilhões de pounds pelos direitos de transmissão da Premier League pelo triênio 2018-2021. Isso atraiu a Comcast pelo fato de ter acesso ao mercado britânico e oferecer os jogos do campeonato inglês para o público americano.

A Ofcom (órgão regulador do mercado de comunicações e mídia) irá enviar um relatório detalhado da transação para o secretário de cultura Matt Hancock no dia 1º de maio.  A decisão final será tomada no dia 14 de junho com o anúncio oficial da decisão da Ofcom sobre isso.

O dono e a corporation

Em primeiro post deste blog. Vou tratar um assunto que li na reportagem da exame sobre a transição da mineradora de Vale de uma empresa privatizada com acionistas para ser tornar uma corporation (uma empresa sem dono, mas comandada por um conselho). Mas como irá transcorrer um processo tão complicado em um país de cultura de donos como o Brasil.

O conceito de uma empresa sem donos nasceu nos Estados Unidos nos anos 1980 baseado na premissa de que os executivos serão fiscalizados tanto por um conselho de administração junto com os acionistas minoritários e marjoritários. Mas tal ideia caiu em contradição diante do fato de CEOs terem tanto poder para se eternizar no comando de uma companhia.

Isso era nítido em escândalos como a falência da gigante da energia Enron por sua fraude contábel em 2002. Recentemente, o Japão teve que lidar com os casos camuflagem de indices de emissão de gases poluentes feitos pela montadora de carros japonesa Mitsubish que foi feita a partir do apoio dos executivos da companhia que anseiavam por mais lucros.

A questão da figura do dono se tornou frequente nas companhias do setor tecnológico como Jeff Bezos na Amazon e Mark Zuckerberg no Facebook. Mesmo não tendo maior parte das ações de suas empresas. Eles detém o poder da última palavra sobre os rumos de seus negócios. Isso foi importante para estabelecer uma cultura de hierarquia no mundo corporativo.

A transição da Vale de empresa privatizada para uma corporation é algo inédito no Brasil. Mesmo com a questão da redes de lojas Renner sobre o comando de José Galló, que criou uma cultura onde o conselho de administração e os acionistas são peças fundamentais na companhia. Os próximos dados pela Vale terão que ser acompanhados de perto neste nova fase do capitalismo brasileiro.